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12.7.13

#4

Tenho vindo aqui todas as noites. Calculei que não voltasses a escrever-me sem que eu te escrevesse primeiro. Mas não quero deixar isto ao abandono, mesmo que decidas não me escrever mais. A ideia era aproximar-nos ainda mais, mas deixá-mo-nos levar por tudo o que é mau e deixámos isto ficar aqui parado. Mas se tem estas cores leves, tem de ser algo bom para as duas. Tem de nos inspirar. De nos dar forças. E eu sei que precisas de força, agora. E já que as minhas estão abaixo de zero, vem buscá-las aqui. Vem ver que não te abandonei. Que não me esqueci deste cantinho nosso. Anda, senta-te a ler-me.
Sem dúvida que muita coisa mudou entre nós. Tenho pena, mas nem sempre conseguimos reconstruir tudo depois de passar um furacão. E acho que é isso que acontece connosco. Tentamos, disso não tenho dúvidas, mas acho que os estragos ainda são alguns e não estamos suficientemente seguras e a salvo. Ou estamos? Ou deveríamos estar? (Acho que sim.) Gosto de ti à mesma. Adoro-te. És a gémea. Mas não nos podemos deixar engolir assim tão facilmente. Por favor, levanta-te desse chão e caminha. Ainda que devagar, pelo menos não pares. Não te feches. Podes não me contar as coisas, mas então faz por as esqueceres. Só te faz mal guardares isso dentro de ti. E não digo isto para me contares, digo apenas para que expulses as coisas de ti e atires para trás das costas. Anda para a frente. Vê que o caminho é para a frente, não a recordar o que está para trás. Não a lembrar o que já passou. Constrói novas memórias. Boas, de preferência. Por favor. Sai desse buraco negro e devolve-te à vida, ao mundo exterior. Estares aí dentro só te vai corroer, e é porque tu deixas.
Espero que um dia melhores. E que esse dia esteja para breve.
Dorme bem, a tua sempre gémea,

Nicole.

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